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Outra vez

Depois de um longo período, do tempo passado, do ocorrido transcorrido tantas e tantas vezes, por fim voltou-se novamente para o que mais lhe era precioso. O som das teclas sob os dedos ágeis, o toque desconhecido do outro dispositivo que não lhe era familiar, misturado a sensação clara e óbvia de que todos os teclados eram iguais em algum ponto. Reencontrando, em meio ao movimento do cotidiano que recomeça ao final da estação quente, um prazer oportuno, para aplacar o marasmo do sentimento da repetição. Ela e suas pequenas histórias então. Batidas pouco suaves, encadeadas como uma avalanche de ideias que jorram pelos seus dedos em direção ao papel. É a forma como ela constrói sua própria versão do céu. Assim, sem jeito e sem paraíso nenhum. Um mundo todo de mundos de histórias malucas que trespassam qualquer regularidade ou qualquer outra racionalidade.  Ainda assim. Parece ser necessário, de algum modo. Parece ser inevitável de algum modo. As palavras poderiam ser tantas

Amiga solidão

Por que te assusta a solidão se foi ela quem te criou? Silenciosa, no passar das horas Sozinha, criança e calada Abandonada à única companhia dos pensamentos Solidão, querida solidão Abraçou-te como mãe Ensinou como mestra Que não haveria ninguém ali Mas que sempre existiria um refúgio para ti Os pensamentos Recheados de ideias malucas Vindas dos filmes, da televisão Dos jogos, dos gibis Ideias coloridas, ideias aventurescas Barulhentas e agitadas Incapazes de quebrar o tic-tac do relógio da parede Pois eclodiam em sons apenas dentro de si Solidão, amiga eterna Por que a afasta agora, depois de tudo? São amigas de infância, tu e ela Se não fosse por ela, só por ela Jamais teria aprendido a criar teus próprios mundos Tuas próprias historinhas de aventurar A solidão do hoje é barulhenta A rua, a sala, o escritório Sempre que podes te esconde dessa confusão com música Enredos próprios Só teus Então Por que temes que a solidão te faça a companhia? Aceita

Lugar Comum

Em algum lugar De todos os lugares Atento aos detalhes Passado desapercebido no enquadre Da vida Algum lugar comum onde se pode existir A luz já não chega aqui Nem as sombras Nem a chuva molha este chão Nem o calor faz ferver o sangue Existe um deserto imenso Em cada lugar Em cada um Preenchido por cenários torpes Por figuras pálidas Inverossímeis Foi embora de onde se via Para o lugar onde se perdeu Se encontrou na Realidade A solidão aceita como Majestade Reinando no Universo de apenas Um

A "morte"

Não sou nada Nunca serei nada O caminho não existe mais A jornada sempre foi uma ilusão brilhante A morte do desejo É o nascimento da liberdade Livre de todas as amarras do egoísmo Do cinismo Da cobiça Da loucura Da fama A morte é o único caminho para continuar vivo E louco Ou louco Nunca serei nada Nunca saberei qual o gosto do fruto do paraíso Não existem caminhos deste ponto em diante Ou para trás Na loucura de tentar encontrar sentido Apenas a morte Simbólica, metafórica e irreal É capaz de mostrar Que não é preciso encontrar um sentido, afinal - LKMazaki 2020/02/11

Dois lados de uma mesma coisa

É muito tentador olhar para o lado negativo das coisas. Mesmo que sempre tente me manter concentrada no que estou fazendo, sem cair em comparações ou criar metas sufocantes, é inevitável que, quando menos estiver esperando, pensamentos autodestrutivos vão tentar dominar sobre qualquer bom sentimento que possa cultivar com cuidado. A vida de uma pessoa que se dedica à arte de forma autônoma, sem retorno financeiro, é bastante solitária e dolorida. Com muito custo consegui conquistar algumas pessoas que acompanham meu trabalho. Cada uma dessas pessoas é muito importante para mim, mesmo que eu jamais as tenha encontrado e mesmo que, no momento em que o pior sentimento de solidão me atinja como um soco, eu não possa pedir algum conforto. Não, não existe conforto para quem escolhe a arte. Especialmente em um sistema que combate a arte, que vê toda expressão pessoal como inimiga e que premia apenas alguns muito poucos sortudos com algum retorno social e financeiro. De muitas formas é e

Quatorze

Faço "poesia" Sem métrica, sem rima Às vezes imito haicai Mas nunca um soneto Falo do que vivi Do que sonhei Do digital e do real Sem limites e limitado Mas não sigo regras Nem a moda Nem os requisitos Não sou poeta Só brinco com palavras Como peças de montar

Um mundo de possibilidades

Minha história com blogs é uma montanha-russa. Comecei com isto em maio de 2007, há quase 13 anos atrás da data de publicação deste presente texto. Na época minha ideia sobre a miraculosa internet era usar o blog para falar sobre meus projetos criativos e sobre qualquer outra coisa que desse na telha. Foi assim por um tempo, até que o fantasma do SUCESSO ONLINE fez todo o meu prazer em escrever sobre mangá, pinball ou sobre meus quadrinhos se transformasse em uma única pergunta mesquinha: "Como faço para ganhar mais views?". É, o sucesso online é uma armadilha fatal para a criatividade. Bom, 13 anos depois (arredondando) e, mesmo tendo um site pessoal onde coloco meus projetos literários (vejam só, continuo usando a internet pro mesmo propósito original, no fim das contas), sinto que falta um espaço de maior informalidade e nenhuma fórmula de texto. Ou seja, continuo querendo ter um espaço para blogar. Dizem que, com a era do YouTube, texto na internet não serve para mu