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A grandeza da simplicidade filosófica

O que faz de alguém um filósofo? Um título? Um currículo de publicações em revistas reconhecidas? Um livro na prateleira mais esquecida da livraria do Barra Shopping? Para meu eu de onze anos trás para bastava ter ideias bem distantes do senso comum  e cara de pau para sair gritando aos quatro ventos do colégio sobre essas baboseiras. Era assim que se formava um "Filósofo Nada Anônimo".
O SNS-FNA foi um dos muitos "clubinhos" que organizei durante a vida e foi possivelmente o com maior personalidade dentre estes: não tínhamos objetivos razoáveis, nem ideais elevados. Basicamente éramos um grupo de adolescentes inconformados com a maneira hipócrita do "mundo adulto" tratar das coisas e proclamávamos por mais independência intelectual aos quatro ventos, em meio à muitas piadas estúpidas sobre professores e ritos diários sem muito sentido além do de causar algazarra o bastante para que alguém da coordenação nos chamasse a atenção.
Já faz mais de onze anos d…
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[Música] Coisas perdidas no tempo, como So Alive, de Ryan Adams (e Green Day e. . . )

Cumprimendo a promessa de preencher o blog com as maiores aleatoriedades resolvi trazer algumas músicas, em especial uma bem perdida de quase dez anos atrás. Acontece com frequência de eu me pegar revivendo músicas boas e nem tão boas que conheci há tempos (escutar programas de rádio com a mesma idéia ajuda) então não é de se estranhar esse tipo de revival.

Enfim, vocês lembram de So Alive?





Ainda na vibe revival, enfim resolvi ouvir completo o CD que estava há muito me devendo: American Idiot. Abaixo a que considero minha música favorita do album.




E tudo isso quando deveria estar fazendo um trabalho para faculdade sobre algo bem mais atual: Black Star, o último trabalho do gênio David Bowie. Aliás, Lazarus é uma das músicas mais significativas que já escutei. Existe um efeito hipnótico da forma sincera e assustada que Bowie escreve sobre a morte. Não apenas pelo contexto, mas pelo próprio sentimento da canção.




Se eu trouxesse mais músicas aleatórias, acho que esse blog não tiraria fol…

Distrair-se é morrer de repente

"Tô só por fevereiro do ano que vem," diz um colega de trabalho referindo-se ao período de suas próximas férias. Essa frase sempre me intriga. Já tive os mais diferentes tipos de reação e talvez a mais enfática tenha sido responder-lhe, assim de reflexo, algo como. . .
"Se a vida passar assim tão rápido logo vamos estar mortos."
Claro que ninguém fica confortável com uma resposta dessa. Falar da morte é um tabu inexplicável. Como aproveitar o tempo que nos resta se não pensarmos no fato de que existe um limite para esse tempo? Preferimos ignorar a morte e viver como se houvessem dias que podem ser simplesmente desperdiçados em favor de algo melhor que virá à frente, como férias de trinta dias onde não faremos nada além de comer, beber e dormir.
A vida só existe enquanto temos memórias específicas dela para relembrar. Quando o momento passa, a prova de um calendário ou de uma dor nas articulações que não existia não é o suficiente para termos certeza de que vivemos…

Etelvina Alencar, ou também, uma das muitas coisas que nunca soube sobre a minha terra enquanto vivia lá

Recentemente li a resenha de um livro que tenho muito interesse: Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie e me deparei com algo familiar, mas que ao mesmo tempo não tinha nada haver com o contexto do livro. A resenhista, na oportunidade, destacou o fato da protagonista da história semi-biográfica só se percebe como uma pessoa negra ao chegar nos Estados Unidos.
Relembrando este texto me recordei de um seminário que assisti sobre o movimento do Orientalismo na China e em como o contato com o mundo ocidental possibilitou aos chineses descobrirem que eles eram como um povo. Em um movimento semelhante, ano passado um dos colegas japoneses intercambistas na turma de produção textual leu um texto seu onde falava sobre a descoberta do que era ser japonês ao deixar o Japão. Ao vir para um lugar tão distante, onde todos os asiáticos são tratados como uma coisa só, na maioria das vezes ("nós não somos chineses", disse na ocasião).
Todos esses exemplos conversam com a minha própria exp…

Recomeçar, apesar de tudo

Faz mais de dez anos que este blog foi colocado no ar. Antes de começar este texto de reintrodução fui ler a famigerada "postagem de apresentação". Por Buda, eu escrevia pior do que meu irmão escrevia quando tinha metade da minha idade em 2007. Que troço terrível, mas é o que temos.
Nesses últimos dez anos muita coisa aconteceu neste espaço, mas principalmente fora dele. Desde a minha aceitação como homossexual, minha mudança de um lado para o outro Brasil, a saída da área de programação para buscar algo diferente (a vida dá tantas voltas que já penso em voltar à programar). Por aqui houve a época da escrita ruim, a época de falar de anime e mangá exclusivamente, a época de tirinhas mal desenhadas e a mais famosa: a época de não postar nada.
Apesar de ter pensado o Mundo Mazaki para ser, como o título dá suspeita, um blog sobre qualquer tipo de assunto que me tivesse interesse, acabei ganhando junto com a experiência o medo de ser abrangente. Isso me levou à coisas boas e r…

O que se espera?

Faz mais de um ano desde que não posto nada novo neste blog. Percebi que poderia parecer que simplesmente morri, para algum eventual transeunte que só me conhecesse por este endereço, então resolvi escrever algo rápido apenas para dizer que não estou morta.
Não estou morta. Apesar de às vezes a faculdade me fazer acreditar que sim.
Estou trabalhando em outros sites, como o Kono-ai-Setsu, e também envolvida em projetos pessoais (como um livro, contos e afins). Além disso existe a faculdade e o emprego para fazer toda a motivação e energia do mundo ser insuficiente.
Não morri, mas não tenho mais escrito sobre anime/mangá/cinema que não fosse do nicho yuri, no Kono-ai-Setsu.
Eu poderia estar, mas não estou. Não se enganem. Existe tempo para fazer tudo o que se quer no mundo, basta haver vontade o bastante para isto.
Não tenho tido vontade de escrever sobre cultura pop/nerd. Sinto que isto, após algum tempo (desde 2012, talvez) não tem me dado mais nenhum tipo de retorno interessante. M…

[Escrita] O pesadelo da segunda versão

Escrever uma história ficcional é um trabalho fascinante, mas também exaustivo. Estruturar uma trama e então colocá-la em palavras, tantas quantas forem necessárias, é um ato que exige mais do que gosto por ficção. Exige disciplina e perseverança, ainda mais se estivermos falando de uma trama longa, como um romance.
Porém, depois de dois ou três meses de trabalho duro e quase diário, quando você enfim tem todo seu manuscrito nas mãos e o deixa descansar por mais alguns meses você resolve retomá-lo. Eis o glorioso momento de apenas rever alguns errinhos bobos de digitação para então ter sua obra-prima pronta para ler levada às editoras, é o que você pensa.
Mas então você descobre que aquele manuscrito está horrível.
Pior do que horrível, está vergonhoso. Os personagens parecem saídos do nada e alguns estão tão rasos e sem participação que ninguém notaria a diferença entre eles e uma torradeira. E de onde saíram tantas subtramas que não levam a lugar nenhum? Muito mais crítico do que i…