

















- Mas o que ta acontecendo afinal?! – questionou James irritado encarando o albino que parecia completamente alheio aos seus sentimentos de confusão. Na verdade Zan aparentava mais que nunca o estranho ar de saber de algo misterioso que nunca diante dos olhos de James, se havia alguém que iria lhe explicar tinha que ser ele.
- James... – começou o albino encarando-o sereno, demorou alguns segundos pra continuar, parecia avaliar o peso do que falaria. – Você acredita em sobrenatural?
- Hein?! – James ergueu as sobrancelhas por cima da armação dos óculos incrédulo. – Sobrenatural? Não vai querer dizer que...
- Existe muito mais no Universo do que qualquer filosofia simples poderia sonhar entender. – disse Zan calmo.
- O que quer dizer?! – realmente o papo parecia que iria muito alem do que o que esperaria.
- Vou explicar:
“A Existência é constituída de forças inomináveis que se combinam formando todos os tipos de energia, é a energia primordial.
Tudo no Universo é energia e todas as formas de energia se agrupam em dois grupos contrários. Tudo tem o seu oposto, um Universo dual.”
- Mas.... que explicação.......
“Morphis e Enphis. O Mal e o Bem.
Existem inúmeras dimensões, e mundos habitados tantos quanto seja possível imaginar, na verdade muito mais que isso. Existem Reinos, existem paraísos e infernos.”
- Onde eu entro nessa comédia dantesca? – perguntou James confuso e tentando não ser totalmente grosseiro como queria antes do outro terminar.
- Você não é originário deste Reino, como vários que encarnam e diferentes Reinos a cada vida do Ciclo.
- E.....?
- E que você tem algo que interessa aos dominadores de Morphis deste Reino, porque as forças deste mundo estão escassas ao extremo.
- Dominadores?
- Pode imagina-los como uma religião centrada no Morphis, eles usam o poder do Morphis para subsistir e talvez fazer algo mais.
- Religião....
- James, você não deve...
- Zen... – James falou serio calando o outro com o olhar. – Você é louco.
- James! – exclamou o albino surpreso com a fala do outro. Parecia realmente estranhar alguém chama-lo de louco por falar da Existência e de religiões adoradoras do Mal.
- Isso é patético.... – James não tinha emoção na voz, estava abalado. Acabara de receber uma explicação inútil da única pessoa que acreditava que pudesse ajuda-lo. – Isso não é um filme de Hollywood ou um manga japonês, é o mundo real.... não existe nada disso no mundo real.
- Esta preso James. – disse Zan com a voz firme. – Não pode-se deixar enganar pelo ceticismo deste mundo, ele só é assim por culpa do Deus criador deste mundo... Zeus, ele foi tolo ao acreditar que....
- CHEGA DE ESTORINHAS!!!! – berrou James levantando-se da cadeira e batendo com força no tampo da mesa. – EU JÁ DISSE QUE AQUI É O MUNDO REAL!!
Zan encarou o rosto lívido de James sem se alterar. O homem estava cego, havia esquecido-se completamente do que estava escrito em sua alma em favor da lógica medíocre daquele mundo abandonado. Realmente só o choque da realidade total para desperta-lo daquele sono infinito:
- A palavra Infinit significa algo para você? – perguntou o albino totalmente calmo diante da ira do outro.
- Idiota, que tal............... – começou James pretendendo jogar sua revolta em palavras contra o albino imaginativo a sua frente, mas ao articular os músculos para começar a pronunciar a palavra Infinit, sua mente esvaziou completamente. Foi tão súbita a sensação de que lembrava de algo antes de tudo que ficou sem fala.
- A verdade lhe será revelada da maneira mais chocante se você não acreditar
O homem de pé recuperou os pensamentos de revolta ao escutar a palavra “verdade” do outro:
- VOCÊ É PIRADO!! NÃO É POSSIVEL QUE ACREDITE MESMO NESSAS IDIOTICES!!! EU ESTOU FALANDO: AQUI NÃO É UMA ESTORIA IMBECIL!!!
- Eu sei disso James, uma estória não seria tão complexa quanto a realidade.
- AH!!! IDIOTA! – berrou James virando a mesa com um movimento do braço. Fora um movimento tão rápido que nem se pode ver sua mão segurar o tampo da mesa para isso. – EU VOLTO QUANDO QUIZER FALAR DO MUNDO REAL!! – e dizendo isso saiu da sala batendo com toda a força a porta ao passar, derrubando todos os conteúdos das prateleiras da sala, o que causou uma chuva de livros, chaleiras e xicaras alem da sucessão de barulhos bem altos. O mais interessante foi as prateleiras terem ficado intactas, ate mesmo as na parede oposta a porta, que incrivelmente tiveram seus utensílios jogados para frente de maneira a parecer terem sido atirados. Provavelmente as leis da física não se aplicavam na casa do albino.
Zan observou a súbita destruição completa da sua querida sala de chá e livros calmamente. Realmente James parecia ter algo deveras importante consigo.
Entrementes, James desceu correndo todas as escadas do prédio e entrou pela ruela ao lado do prédio velho e abandonado. Seu passo estava mais para corrida de tão rápido, era a única maneira de aliviar aquela raiva do peito. Era mesmo um imbecil em acreditar que o albino poderia lhe falar algo de útil.
- Bem. – disse Zan a si próprio em sua ex-sala. – Acho que James entendera mais rápido que pensava.... – e dizendo isso cerrou os olhos.
- Mas aquele desgraçado do Zan... eu não acredito que... – resmungava James ainda com o passo apressado pela rua quando viu algo que o desconcentrou.
Uma poça de água no meio da rua deserta, algo comum numa cidade grande, afinal as ruas não agüentam o movimentos intenso de veículos. Porem não era nada comum uma poça aparentemente isolada de qualquer produto químico começar a mudar a cor da água de transparente opaco para o completo negro em questão de segundos:
- Hã? – estranhou o homem ajeitando os óculos parando de correr para analisar o estranho fenômeno.
O frio tornou-se mais intenso quando ele se aproximou da água o que era igualmente estranho quanto a mudança de cor do liquido. Em seu quarto Zan sussurrou para o ar:
- James...
!?!
James paralisou ao escutar a voz de Zan como se fosse dita baixo ao seu ouvido. Não havia ninguém ali e aquela voz definitivamente não era algum aparelho que produzia. Ele só conseguiu ficar em silencio perplexo pelo que ocorria. A água da poça negra vibrou como se o chão tremesse, só que não tremeu:
- Eu falava do mundo real.
A água vibrou mais forte e dessa vez James pode sentir claramente algo atrás de si produzir o tremor que fez a água vibrar. Virou-se devagar e seus olhos se ergueram ao ver do que se tratava. Sua expressão apresentando o completo terror:
- Mas que.....
Um ser quadrúpede enorme o encarava. Todo seu corpo parecia ser coberto por um couro como que distorcido por fogo, totalmente negro. Seus olhos vermelho-amarelos brilhavam de modo assassino e de sua boca canina ouvia-se uma respiração que mais parecia um sopro de morte. James deu um pequeno passo para trás:
- Deus........
- Não exatamente James, mas fico feliz que passe a acreditar em algo. – disse Zan no tom calmo de sempre (porém levemente divertido) em seu quarto sendo ouvido diretamente por James. – Na verdade ele é uma criatura feita de Morphis.
- Mas.... o que ele quer? – perguntou James com a voz fraca, dando passos lentos para trás, o “animal” o encarando fixo, sem se mover.
- Leva-lo até os dominadores de Morphis que o querem.
- Mas..... porque eu?
- James... – começou Zan mais serio na voz. – Não é hora para isso. Você esta diante da Morte, pergunte isso depois.
James fechou a boca entreaberta engolindo
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