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A grandeza da simplicidade filosófica

O que faz de alguém um filósofo? Um título? Um currículo de publicações em revistas reconhecidas? Um livro na prateleira mais esquecida da livraria do Barra Shopping? Para meu eu de onze anos trás para bastava ter ideias bem distantes do senso comum  e cara de pau para sair gritando aos quatro ventos do colégio sobre essas baboseiras. Era assim que se formava um "Filósofo Nada Anônimo".

O SNS-FNA foi um dos muitos "clubinhos" que organizei durante a vida e foi possivelmente o com maior personalidade dentre estes: não tínhamos objetivos razoáveis, nem ideais elevados. Basicamente éramos um grupo de adolescentes inconformados com a maneira hipócrita do "mundo adulto" tratar das coisas e proclamávamos por mais independência intelectual aos quatro ventos, em meio à muitas piadas estúpidas sobre professores e ritos diários sem muito sentido além do de causar algazarra o bastante para que alguém da coordenação nos chamasse a atenção.

Já faz mais de onze anos desde aquela época e vivo hoje em uma realidade completamente distinta. Do outro lado do país, quase acostumada à gritante diferença de valores que existe entre o cá e o lá, já pensando em comprar casa, abrir empresa. Sou uma pessoa totalmente diferente daquela época e, em certo nível, devo ter me tornado um pouco daquilo que abominava na época do FNA: uma pessoa que não protesta contra a hipocrisia do mundo.

Me pergunto se lá, na cidade do Filósofos Nada Anônimos (Manaus) ainda é preciso erguer a voz para proclamar absurdos que deveriam ser apenas coisas comuns para quem tem senso crítico.

De qualquer modo algo do FNA nunca irá desaparecer. Mesmo que não fale com "Magnus", "Derick" e "Marian" (ou Thales, Robson e Marina) há tantos anos, sei que ainda seremos sempre os quatro fundadores daquele grupo juvenil sem sentido que inventava história muito criativas sobre o surgimento do Universo e tacava copos plásticos na cabeça dos amigos. O poder da simples vontade de fazer a diferença para si, para um grupo de pessoas, e talvez para o mundo inteiro é algo que nenhuma sabedoria vinda dos livros mofados das bibliotecas universitárias pode se comparar. Aqueles garotos de onze anos atrás tinham coragem para tudo, algo bem mais útil que teorias complicadas e textos bem elaborados.

Afinal, será que precisa de algo além de baboseiras e vontade de repensar a realidade para ser um filósofo?

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