sábado, 5 de setembro de 2015

Comentários sobre Zero Eterno volume 1

Olá a todos!

Apesar da crise financeira estar apertando nossos bolsos trabalhadores, ainda é possível comprar alguns mangás que não se conhece para ter alguma surpresa. Foi com esse espírito de certa cautela que adquiri o primeiro volume de Zero Eterno (história de Naoki Hyakuta e arte de Souichi Sumoto), publicado no país pela JBC. Uma escolha nem tão arriscada assim, afinal adoro histórias à respeito da Segunda Guerra Mundial pelo ponto de vista dos japoneses.

Comentários sobre Zero Eterno - volume 1



Baseado em um romance de mesmo nome, Zero Eterno (Eien no Zero, no original) é uma ficção que conta a jornada de Kentaro Saeki, um jovem homem sem rumo na vida que, através da curiosidade de sua irmã pelo passado do avô biológico deles, Kyuzo Miyabe, um aviador e Kamikaze que lutou na Guerra do Pacífico.

A guerra narrada pelos que sobreviveram. É assim que vamos desvendando a figura de Miyabe junto com seus netos. Um dos primeiros pontos que chama a atenção na construção dessa figura é quando os dois irmãos, enquanto conversam sobre o assunto em uma lanchonete, chegam ao seguinte questionamento:

Nosso avô era um terrorista?

Muitas vezes não paramos para refletir sobre os diferentes pontos de vista que as pessoas tem dos mesmos fatos. Kyuzo Miyabe foi um kamikaze, uma pessoa que jogava sua vida fora para causar o máximo de destruição aos seus alvos. Se compararmos com os radicais do oriente médio de hoje em dia, fica bastante óbvio para nós que os kamikaze poderiam ser considerados sim terroristas. Porém, não era assim que os japoneses viam as coisas na época da guerra. Todos os que morreram de fato daquela maneira sentiram-se cumprindo seu dever para com o Grande Império Japonês e também para com a divindade do Imperador. Para eles aquela forma de morrer era extremamente grata para um aviador. Uma honra.

Um dos pontos de maior destaque no enredo neste primeiro volume é a maneira como ele consegue deixar em profunda evidência a diferença de valores entre o período de guerra e o período de paz. Aliás, essa parece ser uma constante em toda a obra.

Miyabe é relatado pelo primeiro veterano de confronto que os irmãos entrevistam como um covarde por preservar sua própria vida.




Sobre os fatores físicos do mangá: a arte é primorosa, sóbria e ótima para retratar o ambiente militar da época em questão. O acabamento da edição brasileira é bastante satisfatório, apesar de achar o preço um tanto salgado (se em comparação com Planetes, publicado pela Panini, que tem um acabamento ainda melhor e um preço menor).

Enfim, Zero Eterno é uma adaptação de livro, mas é muito interessante em si e convidativa a todos que apreciam um enredo mais sóbrio e/ou o tema Guerra. Fica a sincera recomendação aos interessados em ler esta publicação.

Por hoje era isso. Até a próxima!

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