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Comentários sobre Lúcifer e o Martelo #01

Olá a todos!

Hoje trago ao Mundo mais um comentário a respeito de um mangá lançado a poucos meses no Brasil sobre o qual eu não tinha O MENOR CONHECIMENTO do enredo até começar a leitura. Foi a curiosidade, as indicações de conhecidos e o instinto que me levaram a descobrir Hoshii no Samidare, ou, Lúcifer e o Martelo, como ficou na tradução da editora JBC.

Lembrete de sempre: este post é uma análise pessoal, parcial e baseada na experiência empírica da leitura do primeiro volume de Lúcifer e o Martelo. Caso você não aprecie textos opinativos parciais desaconselho que prossiga com a leitura. Talvez bulas de remédio sejam mais indicadas para quem busca informações imparciais.

Agora, vamos ao mangá!



Capa da edição brasileira (divulgação)



O Plot

Yuuhi Amamiya é um jovem comum, de 20 anos, que vive sua vida evitando criar laços com outras pessoas. Tudo muda no dia em que ele acorda com um lagarto sobre ele e o mesmo começa a explicar uma trama absurda sobre proteger uma princesa e salvar o mundo da destruição. Apesar da negação inicial, Yuuhi é convencido pela jovem Samidare, a princesa, a ajudá-la a destruir o Biscuit Hammer e, depois disso, ajudá-la a enfim destruir a Terra.

Talvez ter ido ler este mangá sem qualquer conhecimento anterior do enredo, nem mesmo de seus traços básicos, tenha sido a chave para minha total perplexidade, no sentido positivo, diante desta história. Diversas vezes durante a leitura parei para exclamar ao ar "caramba, não esperava por uma história assim!". Com o decorrer das cenas essas exclamações foram apenas ganhando mais força, pois não é apenas no aspecto de enredo que a obra surpreende, mas também no que toca o próximo tópico a ser destacado: os personagens.



Os Personagens

Um dos pontos altos deste primeiro volume. Os personagens de Lúcifer e o Martelo conseguem fugir de diversos esteriótipos mais comuns, ainda que possa se argumentar que essa fuga faz com que os mesmos caiam em tipos-padrão diferentes, ainda que não menos padronizados.

Yuuhi Amamiya é o protagonista do tipo anti-herói. Ao iniciar a história sua reação é de completa descrença e sua primeira reação quando se vê diante do desafio de ajudar Samidare à impedir que o Bircuit Hammer (a escolha da editora em deixar o nome em inglês me fez ficar em dúvidas sobre este termo) foi a de recusa. Não apenas sua atitude é defensiva e negativista como suas intenções também não são nada nobres. Logo de começo fica bem claro seu desprezo pelo bem estar da humanidade, tanto que ele só se convence a apoiar Samidare por causa da intenção posterior da "princesa" em destruir o mundo que primeiro irá salvar (apesar de acreditar, particularmente, que essa decisão foi já influenciada por uma queda amorosa).

Lorde Noi Crescent, ou "o tal lagarto falante" é o segundo personagem a aparecer e também o mais próximo do protagonista, sendo seu conselheiro e tendo a difícil missão de colocar algum senso na mente negativo e obscura de Yuuhi.

Samidare Asahina é a Lúcifer da trama. Uma jovem com poderes incríveis e que tem como missão destruir o Biscuit Hammer. Porém, diferente do que se esperaria dela, ao invés de ter este objetivo visando a salvação da Terra, na realidade sua meta final é a destruição causada por suas próprias mãos. Ela encontra em Yuuhi um servo fiel a quem protege durante o dia e, no mundo dos sonhos, instiga e até provoca. Neste início de trama fica claro que ainda há muito a se descobrir desta peculiar personagem.

Hisane Asahina, irmã mais velha de Samidare e também professora de Yuuhi na faculdade. É uma jovem mulher de temperamento forte e que não fica muito à vontade com a aproximação do seu aluno com sua irmã, mesmo sem entender os reais motivos por detrás desta nova amizade.

Hangetsu Shinonome é o último personagem apresentado neste primeiro volume do mangá. Trata-se de um segundo cavaleiro (representado pelo animal cachorro) que surge para auxiliar Samidare na busca para deter o Biscuit Hammer. Dono de habilidades de combate extraordinárias logo fica clara sua imensa vantagem em relação às habilidades ainda insipientes Yuuhi. Seu poder deixa inclusive a própria Samidare, até então o único referencial de poder da trama,

A mistura de elementos

Eis aqui o ponto culminante dessa obra, pelo menos no meu ver pessoal. Apesar de um arranjo básico de fatos que poderia muito bem ser encarnado em uma trama típica dos mangás voltados ao público mais jovem, Lúcifer e o Martelo tende a ser um tanto mais denso do que este tipo de obra tem por costume.

Ainda que de forma menos desenvolvida, a ação parece dá toda a dica de que irá crescer em importância no decorrer desta trama.

O sobrenatural é retratado de modo abrangente nesse primeiro volume de Lúcifer e o Martelo. Apesar de não ser de todo original, este aspecto da obra é retratado com bastante personalidade.

A comédia é também uma constante na trama. As caricaturas formadas pelas personalidades tão distintas de cada personagem geram conflitos

Devo aqui confessar que o fator romance (fortemente associado ao item da comédia) foi uma surpresa e alegria enormes ao ler as páginas deste mangá. O protagonista anti-heróico e sua "dona", a quem ele chama de "sua Lúcifer" conseguem despertar a atenção em poucas interações. Terminei minha leitura desse primeiro volume pensando, mais do que qualquer outra coisa, em como esse dois precisam se tornar um par, o quanto antes.

E o mais aflitivo, levando esse ponto em consideração é que, depois de tantas surpresas de construção inusitadas deste primeiro volume, acabei também chegando à conclusão de que esta obra pode vir a surpreender e muito.




Concluindo

Lúcifer e o Martelo foi um achado surpreendente. Por diversos motivos o mangá conseguiu chamar a atenção e capturar com seu enrendo divertido e ao mesmo tempo instigante.

Para mim, em particular, foi provavelmente o melhor achado de mangás em muito tempo. Ainda que tenha retomado meu hábito de compra e leitura dos mesmos com maior intensidade no último ano, ainda não havia encontrado obra a mim inédita que me prendesse com tanta força.

Atualmente com dois volumes em mãos não vejo o momento de aumentar a coleção. Destaco aqui o bom trabalho da Editora JBC com seus volumes que, de uns tempos para cá, mesmo os mais modestos receberam um tratamento gráfico bem agradável sem distanciar-se do seu padrão de produtos acessíveis ao seu público. É notável a mim, que compro mangás de quase todas as editoras a diferença de padrão entre lançamentos de outras e os desta, além de uma diferença brutal entre volumes de alguns anos atrás e os mais recentes.

Enfim, Lúcifer e o Martelo tem sido surpreendente e com certeza está firmado na lista de prioridades de aquisição. Tanto que pretendo trazer comentários a cada dois volumes da obra aqui para o Mundo.

Como sempre, sintam-se à vontade para comentar, opinar e criticar. O espaço dos comentários está aí para isso, e também existe a página de Contato, onde é possível enviar-me mensagens diretamente.

Até breve!

Comentários

  1. Eu gostei do primeiro volume, mas foi o segundo que me surpreendeu e cativou. O terceiro em compensação, que li ontem, parece ter acelerado as coisas (o que não faz sentido pois não está nem na metade da história ainda, a menos que ela se torne repetitiva daqui por diante - torço para que não) e teve uma carga psicológica muito menor.

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  2. @Fábio Mexicano

    Ainda estou na leitura de metade do segundo volume. Por enquanto, de fato, estou adorando, mas ficarei atenta para este detalhe que mencionou sobre o terceiro.

    Qualquer coisa, voltarei a fazer ponderações aqui no blog, se for necessário.

    Ah, e obrigada por comentar!

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  3. O segundo volume é sensacional. Eu tinha (tenho) uma pilha de mangás para ler, quase toda noite antes de dormir leio alguns. Pelo horário, eu poderia ter lido outro mangá depois de terminar o segundo volume de Lúcifer e o Martelo, mas estava tão impressionado no final que queria manter aquela emoção por mais tempo e não li mais nada. Bom, eu teria lido mais Lúcifer e o Martelo se o terceiro volume já tivesse saído =)

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  4. Ah, e obrigado a você por esse artigo. Tenho a forte impressão de que estou diante de uma joia rara que, no entanto, está sendo largamente ignorada. Então fico feliz cada vez que descubro mais pessoas acompanhando esse mangá.

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  5. @Fábio Mexicano

    Confesso que sou bastante desorganizada com minhas leituras. Tenho diversos mangás esquecidos que deixei de ler (e outros que já li várias e várias vezes porque gosto muito), além de dezenas de livros que acumulei e ainda não 'dei vencimento'. O caso desses mangás recentes, como o Lúcifer e o Martelo, é que dou prioridade às obras que me despertam alguma curiosidade.

    Ademais, agradeço as palavras positivas. Já tenho esse hobbie do blogging a vários anos (como evidenciam os históricos deste blog), porém agora estou retornando após um hiato de mais de um ano sem trazer textos regulares. Acredito que enfim encontrei o rumo que quero conduzir o blog e, portanto, cá estou.

    Agradeço novamente e espero futuramente poder trazer mais textos que lhe sejam interessantes.

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  6. Olá, Lilian!

    Sou do blog parceiro PAPRIKA e informo que mudei de endereço:

    http://paprikaaa.weebly.com



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