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Corrente de Reviews 2013: Tengen Toppa Gurren Lagann


Olá a todos! O blog Mundo Mazaki está de volta a ativa para sua participação na Corrente de Reviews 2013, organizada mais uma vez pelo blog Anikenkai (para todas as informações sobre este evento que reúne mais de 40 blogs na sua segunda edição, CLIQUE AQUI).

Ano passado me foi passado o mangá Solanin para review, o que foi uma experiência muito agradável. Este ano o blog Raiburari (leia o review e indicação do blog AQUI) me propôs um “desafio” ao indicar Tengen Toppa Gurren Lagann para o review. Realmente existe um quê de desafio nessa proposta, pois eu nunca expressei um gosto muito grande por animes com uma pegada mais shonen, com muita porradaria e ação.

Bom, sem mais delongas, vamos às informações e opiniões sobre esta obra.

Tengen Toppa Gurren Lagann – Um anime ou dois?

 

 


Gurren Lagann, ou TTGL, é um anime original da Gainax, lançado no ano de 2007. Uma obra que mescla a comédia com uma ação frenética com mechas. São 27 episódios que se dividem em dois grandes arcos (algo que irá ser destacado muito por esta resenha), não necessariamente dividindo o anime em partes iguais, visto que o segundo arco se inicia no episódio 17.

Personagens icônicos, sejam humanos ou gamens (os mechas da série), e cores muito vibrantes são marcas da obra. Em momento de comédia mais frenética também é possível notar um desenho rabiscado das expressões dos personagens, tudo proposital para destacar essa veia caricata da série.

Falando brevemente com uma pessoa que aprecia muito outras obras mais voltadas à comédia do estúdio Gainax (Furi-Kuri e, em especial, Panty & Stocking w/ Garterbelt), TTGL (pelo menos o primeiro arco da série) tem muito dos elementos que vemos em outras obras da empresa (as mesmas referidas antes), seja no exagero de algumas situações ou mesmo reações dos personagens, como nas cores e estilo presente em sequências de ação da série. Particularmente, um ponto muito positivo.

Plot

 

 


Em um futuro aparentemente distante a humanidade é obrigada a viver em vilas escondidas no subterrâneo. Simon e Kamina são amigos e vivem na mesma vila sem sequer ter ideia de como é no lugar acima da suas cabeças. Kamina é um típico rebelde que pretende ir conhecer a superfície, mesmo que o líder da sua vila diga que não há nada para se ver. Um acontecimento inesperado, a queda de uma criatura enorme e estranha na vila, junto com o outro estranho “ser” achado de Simon ao fazer suas escavações (e instintivamente utilizado por este para combater o “monstro” que atacara a vila), isso ainda complementado pela aparição de uma bela atiradora, Yoko, resulta na enfim ida do rebelde (e também do garoto Simon) para a misteriosa superfície.

Porém logo eles descobrem que as coisas não são muito felizes na superfície. Descobrem que o monstro que haviam enfrentado tratava-se de um Ganmen, um robô controlado por uma raça diferente da humana, os homem-fera, que só tinham um objetivo: exterminar toda a humanidade que pisasse na superfície.

Logo Kamina também consegue um Ganmen e decide enfrentar diretamente os homem-fera até livrar a humanidade da ameaça daquelas criaturas.

Personagens




A quantidade de personagens que vão integrando o grupo dos heróis no decorrer da trama é grande. Alguns deles ganham tanto destaque que chegam a ofuscar personagens mais antigos e, teoricamente, mais importantes para a trama (o que é uma das críticas que já vi ser feita à série, referindo-se especificamente à Yoko e Nia).

Simon – Protagonista da série, é um garoto mais calado e de pouca iniciativa. A única coisa que gosta de fazer é escavar em silêncio. Mostra-se muito dependente de Kamina durante todo o primeiro ato do arco um, o que muitas vezes acabo o fazendo parecer um coadjuvante nos grandes feitos daquele que considera um irmão e exemplo. Devido aos acontecimentos inesperados da história Simon é obrigado a superar sua dependência e aprender por ele mesmo o que é batalhar e liderar.



Kamina – personagem mais icônico e carismático da série. Um rebelde que não vê limites para suas ambições. Um sonhador que luta com toda sua garra para superar todos os inimigos que surgem no seu caminho. Parece muitas vezes ser um inconsequente para as outras pessoas, mas a verdade é que é uma pessoa muito determinada e focada nos seus objetivos. Ele rouba completamente a cena durante todo o primeiro ato da série, sendo visto muito mais como o herói da trama do que Simon (o que faz a mim pensar se não foi este um dos motivos da trama ter tomado o rumo que tomou).



Yoko – uma atiradora de um grupo de rebeldes que vive na superfície enfrentando os Gamen com os poucos recursos que possuem. Longe de ser uma donzela em perigo, ela muitas vezes dá auxílio nas batalhas dos monstruosos gamens, mesmo que apenas utilizando seu rifle movido à eletricidade. Chega a pilotar uma vez junto à Simon, mas não se destaca muito nessa modalidade de combate.



Nia – filha do Rei Espiral, líder dos homens-fera, é encontrada por Simon enquanto repousava em uma espécie de sono eterno. Ela tem suas verdades jogadas por terra quando descobre as verdadeiras intenções de seu pai ao ter selado-a. Torna-se aliada da Brigada Gurren contra os homens-fera e também o interesse amoroso de Simon.

Viral – um homem-fera que se torna grande rival de Kamina nas batalhas. Após suas consecutivas falhas em derrotar as forças humanas, ele é “condenado” a ter um corpo imortal, o que o torna porta-voz de todos os acontecimentos na luta da humanidade contra os homens-fera, mesmo muito tempo depois dos acontecidos.

Roshiu – humano que vivia em uma pequena vila subterrânea, mantida por um líder que ludibriava o povo com falsas crenças para que estes vivessem conformados naquelas condições. Acaba se tornando um aliado da Brigada Gurren na sua batalha, inclusive pilotando junto com Simon o combinado de Ganmens chamado de Gurren-Lagann. No segundo arco, com a mudança total de valores e foco da trama, sua participação no enredo também sofre uma mudança drástica.

Análises

Contraversão ao gênero mecha

 

 

TTGL é sem dúvida um anime de mecha muito diferente do habitual. Quando em séries tradicionais como as de Gundan estamos acostumados a lidar com tramas políticas e sociais complexas, em TTGL tudo é muito simples e direto. A trama é construída de modo quase “tosco” e tudo gira em torno de “bater nos inimigos e vencer”. Isso não é de modo algum um defeito, mas sim uma singularidade que dá uma cara toda particular para a série. O tempo inteiro TTGL está dizendo ao público que não é preciso de uma história “séria e chata” para que batalhas alucinantes entre robôs gigantes sejam ótimas. Uma tentativa de quebra de valores que se estende por todos os níveis da trama.

Quem é mais importante?


Em vários momentos, ao meu ver, parece que a série vai se “construindo para frente”, ou seja, vai se desenvolvendo sem ter sido planejada com antecedência, o que leva a vários desvios do que pareceria ser a linha principal de desenvolvimento. Falo isso mais com referência aos personagens onde, mais de uma vez, um personagem acaba tomando todo o espaço que a princípio deveria ser de outro.

Analisando posteriormente é possível chegar à conclusão de que esses desvios todos são propositais. Estamos falando da Gainax, e as séries que citei anteriormente (a repetir: Furi Kuri e Panty & Stocking) não são exemplos de construção linear. A impressão que fica é que toda essa “bagunça” é proposital e premeditada.

Uma pena para Yoko, personagem tão carismática que perde sua relevância e espaço na série para não mais o recuperar.



O que brilha na série?


A relação entre os personagens centrais, na primeira metade do arco um, é, no meu ver pessoal, a parte mais brilhante da série. Personalidades muito características e relações que o expectador compreende e interpreta com naturalidade. E mesmo com a saída de cena de Kamina, essa qualidade ainda se mantém por um período, onde Simon se torna um personagem digno de ser chamado de herói.

O visual e estilo presentes em toda a série também são um ponto positivo que se destaca.

Nem tudo são flores.


Como foi dito pelo pessoal que me indicou Gurren Lagann na corrente, esta é uma série que desperta ou um amor imenso ou uma repulsa enorme. Interpreto isso como o exato motivo de eu, infelizmente, dizer que a série foi desapontante. E digo com sinceridade que é um pesar chegar a esta conclusão.

Tudo por causa de um “sete anos depois”.


Extrapolando o extrapolado, ou, "mechas jogando galáxias, literalmente, uns nos outros"


O segundo arco de TTGL é tão díspar com a trama anterior que você chega a se perguntar se é a mesma série, se não mudaram de roteirista, diretor, estúdio, universo. Uma comparação muito boa que me falaram quando comentei sobre este fenômeno foi: “fica parecendo um fanfic”.

Estranho? Analisando as mudanças drásticas não só no cenário, como no tipo de enredo como até em características de alguns personagens (estou olhando para vocês, Roshiu e Viral) fazem parecer que aquela continuação nem é oficial. Ainda que o título da série venha de um elemento que só surge no final deste segundo arco, o Tengen Toppa Gurren Lagann, o abismo de enredo entre um arco e outro é gigantesco.

No segundo arco temos um escalonamento de forças muito rápido e exagerado. Sinceramente cheguei a rir da batalha final, onde os mechas andavam sobre galáxias (não peçam explicações disso) e chegavam a arremessar as mesmas uns contra os outros.

Além disso a trama quer parecer séria e catastrófica nesse segundo arco. Enquanto no primeiro, ainda que tivéssemos uma luta pela sobrevivência isso não diminuía o tom de “deboche” presente em cada batalha, no segundo arco os seres anti-espirais são vilões terríveis que levam sofrimento enorme aos personagens, especialmente o protagonista Simon.

Talvez este segundo arco não seja assim tão mal estruturado, se for observado individualmente, porém tenho que confessar uma coisa: essa disparidade foi tamanha que meu interesse pelo enredo foi anulado durante toda essa trama.


Conclusões


Aos fãs de ação desenfreada, TTGL é uma pedida excelente. Batalhas são sempre o ponto alto dos episódios, não importa o momento da série. Mechas curiosos e alguns até bem estranhos no visual estão presentes só para quebrar o clima mais tenso do combate (como se os diálogos e situações já não fossem o bastante). Uma obra que se pode consumir só por toda a adrenalina presente no enredo. Uma trama de ação nada convencional, tocada em muitas partes por uma comédia de alto nível.

Porém, em termos de avaliação pessoal, sou obrigada a dizer que TTGL foi uma decepção, por conta do segundo arco tão citado na parte de análise desta resenha. Se o anime terminasse no episódio 15 teria entrado no conjunto das minhas obras mais queridas, pela dinâmica e pelos personagens, porém o choque com as mudanças e o desfecho foi tão impactante que derrubou por completo a impressão que a primeira trama havia causado.

Talvez eu tenha levado a sério demais a estrutura de uma obra do estúdio que fez Furi Kuri, que faz menos sentido ainda. Talvez.


Indicação da Corrente


Bom, esta foi minha singela participação na Corrente de Reviews 2013. Agradeço ao Did Cart do Anikenkai pela oportunidade de participar mais uma vez deste evento virtual entre blogs do nicho. Também agradeço ao pessoal do Raiburari pela oportunidade de assistir esta série que me trouxe uma gama de sentimentos enorme ao assistir. Valeu mesmo gente.

Pra finalizar, minha indicação vai para o Blog Clube de Anime UFABC. Nada menos do que. . . do que. . . o já tão citado neste post: os OVAs de Furi Kuri, do estúdio Gainax! Parece que inesperadamente é um breve momento de celebração às obras dessa empresa aqui na Corrente. Não sei qual dos redatores do blog irá fazer a resenha, mas espero que tenha aproveitado a oportunidade assim como eu aproveitei a indicação que me foi feita.

E chegamos ao fim. Espero que este review seja a volta da minha movimentação aqui pelo blog (tantos projetos e um só tempo, é um problema) e espero que aqueles que leram até aqui tenham apreciado o texto.

Até breve!


Comentários

  1. Olá, eu sou Jeguy Hope, do Blog Raiburari.

    Pena que você não gostou da série como um todo. Concordei com praticamente tudo dito na sua review. Provavelmente, por ser um grande fan de mecha e por gostar de ação, eu não vi tantos problemas quanto os apontados na segunda parte do anime.

    Há também os 2 filmes, Gurren-hen e Lagann-hen, que são basicamente filmes que resumem a série, enquanto alteram algumas partes. No Gurren-hen, a alteração é pequena, mas no Lagann-hen altera fortemente a batalha final, com direito a cenas adicionais no final. Talvez seja uma experiência interessante ver esses filmes algum dia desses.

    Bem, pelo menos foi uma experiência interessante, apesar de você não ter gostado muito da segunda parte. É um dos animes que pra mim, tem uma boa dose de comédia, e conseguiu me emocionar bastante, principalmente no final da batalha pelo Daiganzan (Depois rebatizado de Dai-Gurren).

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  2. Saudações


    Neste início de evento (#CorrentedeReviews2013), o post da nobre amiga já desponta com destaque (graças á elaboração e condução do mesmo).

    Embora seja suspeito para falar de TTGL (pois nunca vi o anime), acredito que a experiência deve ter tido sim seus pontos positivos (como ressaltados neste post).

    E sim, tenho por mim que tal tipo de anime dificilmente poderá ser do meu agrado, mas anseio em poder assisti-lo e ver como o desenvolvimento do mesmo.

    Ótimo post.


    Até mais!

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  3. O-lá Lilian Kate Mazaki!


    Devo então pressupor que as personagens do Gainax não passaria num teste psicotécnico.
    Talvez esteja como naquele tipo que já ouviu falar alguma vezes de TTGL: suas revoluções,suas músicas transadas,suas cores de mais duma demão,as percepções do fandom e discussões fervorosas ou fieis seguindo o anime como na Marcha da Juventude do Papa Francisco.

    A evasão de temas menos globais para criar o maquinário de batalha me soa interrogativo,mas deve ser legal segundo as originalidades.É como andar de carro para bater(autorama),ao invés de andar de carro com ideologias(carreata).
    E a alteração de rumo dos holofotes,bateu-me como uma improvisação quando o maestro não ensaia e intui o que cada instrumentista faria.

    Estilo,carisma,liderança se sente nos brilhos citados.Já quanto às galáxias sendo jogadas como bolas(se vale o paralelo) não sei se me incomodaria muito -ainda que a ideia crua me seja descrente-;pois vi destruições extensas em mecha battles.

    Por ventura um salto tecnológico que mudara a passos largos a sociedade & tecnologia não lhe convenceu da nova geração.Lembrando em tese,aquilo dos nipônicos que reforçam dos "mais velhos darem lugar para os mais novos brilharem".
    Gostar com restrições de tempo -até aqui,diz o termo-,mas explicar prováveis motivos,valeu a leitura.

    P.S. ou "Hora de salgar o feijão": Em http://mundomazaki.blogspot.com.br/2012/09/corrente-de-reviews-solanin.html era o proprietário do anonimato daqueles comentários.Não sei como é que ficou para você,porém de forma ou de outra estamos/ficamos entendidos. ^_^


    Matta ne!

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