Pular para o conteúdo principal

Trecho

Olá a todos!

Sabem, o grande problema de um blog pessoal é realmente ser um blog pessoal para mim, porque afinal eu gosto de falar de temas bem diferenciados entre si e isso deve irritar e até afastar várias pessoas. Porém, como é ainda um blog pessoal.... vou postar algo meu hoje.


Abrindo hoje espaço para a literatura, vou postar um texto meu, uma pequena palhinha de teste para alguns elementos que fazem parte do ambiente no qual o livro que estou escrevendo se passa. Eu já vinha a um bom tempo pensando em algum texto para postar aqui, porém achei este prontinho no meu (até bem grande) arquivo de textos pessoais nos padrões que queria, então vou agora postar aqui.

Aviso, este texto é um trecho de um outro projeto de livro que tenho que utiliza alguns elementos em comum com o livro que estou escrevendo atualmente. Não esperem que haja uma continuação em breve.

Boa leitura.

************************************************************************************

- Mas o que ta acontecendo afinal?! – questionou James irritado encarando o albino que parecia completamente alheio aos seus sentimentos de confusão. Na verdade Zan aparentava mais que nunca o estranho ar de saber de algo misterioso que nunca diante dos olhos de James, se havia alguém que iria lhe explicar tinha que ser ele.

- James... – começou o albino encarando-o sereno, demorou alguns segundos pra continuar, parecia avaliar o peso do que falaria. – Você acredita em sobrenatural?

- Hein?! – James ergueu as sobrancelhas por cima da armação dos óculos incrédulo. – Sobrenatural? Não vai querer dizer que...

- Existe muito mais no Universo do que qualquer filosofia simples poderia sonhar entender. – disse Zan calmo.

- O que quer dizer?! – realmente o papo parecia que iria muito alem do que o que esperaria.

- Vou explicar:

“A Existência é constituída de forças inomináveis que se combinam formando todos os tipos de energia, é a energia primordial.

Tudo no Universo é energia e todas as formas de energia se agrupam em dois grupos contrários. Tudo tem o seu oposto, um Universo dual.”

- Mas.... que explicação.......

“Morphis e Enphis. O Mal e o Bem.

Existem inúmeras dimensões, e mundos habitados tantos quanto seja possível imaginar, na verdade muito mais que isso. Existem Reinos, existem paraísos e infernos.”

- Onde eu entro nessa comédia dantesca? – perguntou James confuso e tentando não ser totalmente grosseiro como queria antes do outro terminar.

- Você não é originário deste Reino, como vários que encarnam e diferentes Reinos a cada vida do Ciclo.

- E.....?

- E que você tem algo que interessa aos dominadores de Morphis deste Reino, porque as forças deste mundo estão escassas ao extremo.

- Dominadores?

- Pode imagina-los como uma religião centrada no Morphis, eles usam o poder do Morphis para subsistir e talvez fazer algo mais.

- Religião....

- James, você não deve...

- Zen... – James falou serio calando o outro com o olhar. – Você é louco.

- James! – exclamou o albino surpreso com a fala do outro. Parecia realmente estranhar alguém chama-lo de louco por falar da Existência e de religiões adoradoras do Mal.

- Isso é patético.... – James não tinha emoção na voz, estava abalado. Acabara de receber uma explicação inútil da única pessoa que acreditava que pudesse ajuda-lo. – Isso não é um filme de Hollywood ou um manga japonês, é o mundo real.... não existe nada disso no mundo real.

- Esta preso James. – disse Zan com a voz firme. – Não pode-se deixar enganar pelo ceticismo deste mundo, ele só é assim por culpa do Deus criador deste mundo... Zeus, ele foi tolo ao acreditar que....

- CHEGA DE ESTORINHAS!!!! – berrou James levantando-se da cadeira e batendo com força no tampo da mesa. – EU JÁ DISSE QUE AQUI É O MUNDO REAL!!

Zan encarou o rosto lívido de James sem se alterar. O homem estava cego, havia esquecido-se completamente do que estava escrito em sua alma em favor da lógica medíocre daquele mundo abandonado. Realmente só o choque da realidade total para desperta-lo daquele sono infinito:

- A palavra Infinit significa algo para você? – perguntou o albino totalmente calmo diante da ira do outro.

- Idiota, que tal............... – começou James pretendendo jogar sua revolta em palavras contra o albino imaginativo a sua frente, mas ao articular os músculos para começar a pronunciar a palavra Infinit, sua mente esvaziou completamente. Foi tão súbita a sensação de que lembrava de algo antes de tudo que ficou sem fala.

- A verdade lhe será revelada da maneira mais chocante se você não acreditar em mim James, não quero que isto lhe aconteça.

O homem de pé recuperou os pensamentos de revolta ao escutar a palavra “verdade” do outro:

- VOCÊ É PIRADO!! NÃO É POSSIVEL QUE ACREDITE MESMO NESSAS IDIOTICES!!! EU ESTOU FALANDO: AQUI NÃO É UMA ESTORIA IMBECIL!!!

- Eu sei disso James, uma estória não seria tão complexa quanto a realidade.

- AH!!! IDIOTA! – berrou James virando a mesa com um movimento do braço. Fora um movimento tão rápido que nem se pode ver sua mão segurar o tampo da mesa para isso. – EU VOLTO QUANDO QUIZER FALAR DO MUNDO REAL!! – e dizendo isso saiu da sala batendo com toda a força a porta ao passar, derrubando todos os conteúdos das prateleiras da sala, o que causou uma chuva de livros, chaleiras e xicaras alem da sucessão de barulhos bem altos. O mais interessante foi as prateleiras terem ficado intactas, ate mesmo as na parede oposta a porta, que incrivelmente tiveram seus utensílios jogados para frente de maneira a parecer terem sido atirados. Provavelmente as leis da física não se aplicavam na casa do albino.

Zan observou a súbita destruição completa da sua querida sala de chá e livros calmamente. Realmente James parecia ter algo deveras importante consigo.

Entrementes, James desceu correndo todas as escadas do prédio e entrou pela ruela ao lado do prédio velho e abandonado. Seu passo estava mais para corrida de tão rápido, era a única maneira de aliviar aquela raiva do peito. Era mesmo um imbecil em acreditar que o albino poderia lhe falar algo de útil.

- Bem. – disse Zan a si próprio em sua ex-sala. – Acho que James entendera mais rápido que pensava.... – e dizendo isso cerrou os olhos.

- Mas aquele desgraçado do Zan... eu não acredito que... – resmungava James ainda com o passo apressado pela rua quando viu algo que o desconcentrou.

Uma poça de água no meio da rua deserta, algo comum numa cidade grande, afinal as ruas não agüentam o movimentos intenso de veículos. Porem não era nada comum uma poça aparentemente isolada de qualquer produto químico começar a mudar a cor da água de transparente opaco para o completo negro em questão de segundos:

- Hã? – estranhou o homem ajeitando os óculos parando de correr para analisar o estranho fenômeno.

O frio tornou-se mais intenso quando ele se aproximou da água o que era igualmente estranho quanto a mudança de cor do liquido. Em seu quarto Zan sussurrou para o ar:

- James...

!?!

James paralisou ao escutar a voz de Zan como se fosse dita baixo ao seu ouvido. Não havia ninguém ali e aquela voz definitivamente não era algum aparelho que produzia. Ele só conseguiu ficar em silencio perplexo pelo que ocorria. A água da poça negra vibrou como se o chão tremesse, só que não tremeu:

- Eu falava do mundo real.

A água vibrou mais forte e dessa vez James pode sentir claramente algo atrás de si produzir o tremor que fez a água vibrar. Virou-se devagar e seus olhos se ergueram ao ver do que se tratava. Sua expressão apresentando o completo terror:

- Mas que.....

Um ser quadrúpede enorme o encarava. Todo seu corpo parecia ser coberto por um couro como que distorcido por fogo, totalmente negro. Seus olhos vermelho-amarelos brilhavam de modo assassino e de sua boca canina ouvia-se uma respiração que mais parecia um sopro de morte. James deu um pequeno passo para trás:

- Deus........

- Não exatamente James, mas fico feliz que passe a acreditar em algo. – disse Zan no tom calmo de sempre (porém levemente divertido) em seu quarto sendo ouvido diretamente por James. – Na verdade ele é uma criatura feita de Morphis.

- Mas.... o que ele quer? – perguntou James com a voz fraca, dando passos lentos para trás, o “animal” o encarando fixo, sem se mover.

- Leva-lo até os dominadores de Morphis que o querem.

- Mas..... porque eu?

- James... – começou Zan mais serio na voz. – Não é hora para isso. Você esta diante da Morte, pergunte isso depois.

James fechou a boca entreaberta engolindo em seco. Realmente não era uma boa idéia filosofar diante da morte..... mesmo que ela não parecesse carregar sua foice naquele dia.


*************************************************************************************

Por favor, comentem! Gostaria de escutar todas as criticas possíveis, afinal é com as críticas que vou poder melhorar minha técnica.

Comentem!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

UQ Holder - o novo mangá de Ken Akamatsu começa com tudo!

A estréia de UQ Holder, nova obra de Ken Akamatsu se deu no mês de agosto deste ano de 2013 e foi cercada de grande expectativa: desta vez o mangaká tinha a intenção clara de fazer um mangá de ação desde o princípio.
Talvez no Brasil o trabalho de Ken Akamatsu não seja tão reconhecido quanto poderia. Sua imagem é muito marcada pelos fanservices de Love Hina. Muitos sequer chegaram a ler sua obra seguinte e de maior sucesso comercial: Mahou Sensei Negima. O plot de um menino cercado de 31 garotas também ajudou a aprofundar o preconceito de leitores que (no meu ver pessoal) parecem valorizar demais a sexualidade nos mangás, esquecendo de analisar outros aspectos como a comédia, e, principalmente, a qualidade dos personagens.


Ken Akamatsu é um mestre em criar personagens cativantes e Negima foi um grande sucesso quando conseguiu mesclar a comédia, esses personagens apaixonantes e uma dose de ação crescente. Lutas muito bem desenhadas estão nas páginas da obra de forma cada vez mais cons…

Sobre o que fala Suzumiya Haruhi, afinal?

Suzumiya Haruhi é uma série de light novels que já conta com 10 volumes e o suspense se irão haver novas publicações ou não. A história ficou mais famosa quando se transformou em anime e então a franquia caiu no gosto do público otaku pelos seus clichês cômicos, personagens carismáticos e uma dancinha viciante para viralizar. Porém muitos acabam julgando que a obra não passa de um entretenimento barato para otakus e que não possui nenhuma mensagem intrínseca. O que é um erro e eu vou dizer o motivo:

Qualquer obra, por mais comercial e batida que seja, pode conter em si uma mensagem, talvez supérflua, talvez profunda, mas não é por causa de questões visuais ou estilísticas que deve ser ignorada essa possibilidade.

Vou citar um exemplo de conhecimento mais comum no mundo do entretenimento para deixar mais simples o entendimento.

Matrix, o filme de 1999, é uma história louca sobre pancadaria alucinada entre realidade e mundo digital? Bom, essa pode ser a cara do filme, com seus efeitos …

Comentários sobre Planetes v.1

Olá a todos!
Esse ano de 2015 tem sido muito bom para leitores de mangá que também são leitores de ficção-científica. Grandes anúncios como Akira e o relançamento de Eden (ambos pela Editora JBC) são alguns dos principais nomes desse momentos, mas outros títulos de peso também chegaram às bancas. Esse é o caso de Planetes, mangá de Mokoto Yukimura, autor também de Vinland Saga (ambos publicados pelo selo Planet Mangá, da Panini).
Comentários sobre a trama



Em um futuro próximo, onde o desenvolvimento da exploração espacial já torna possível a construção de estações e bases em alguns pontos do Sitema Solar, em Planetes acompanhamos a vida de Hoshino Hachirota (ou "Hachimaki", como lhe chamam), um jovem astronauta que tem uma das funções de menor glória: lixeiro espacial. Um trabalho exigente e necessário, mas que não é dos mais gratos.
Temos, além de  outros dois tripulantes na nave Toy Box: Yuri Mihairokov, um russo que tem um motivo bastante distinto. Além deles temos a pilo…