Pular para o conteúdo principal

Light Novel: o fenômeno que ainda não chegou ao Brasil

Na última década os otakus brasileiros assistiram a ascensão do mercado de mangás no país. Até hoje me lembro do anuncio no já morto Band Kids do lançamento dos primeiros mangás em português: Saint Seya, Dragon Ball e Sakura Card Captors. A revolução que esses lançamento geraram ao longo dos anos está mais presente do que nunca no nosso dia a dia. Cada vez mais editoras e mais títulos são traduzidos e lançados no mercado nacional. De clássicos como Ramma ½ a títulos mais atuais como Tenjou Tenge.

Claro que as falhas nesses lançamentos existe e é alvo de constantes reclamações do público. A insistência da JBC em usar o formato de meio-tankobon, erros semânticos ou linguagem muito descaracterizada nas traduções. Atrasos, atrasos e ainda mais atrasos. Não são poucos os motivos para os otakus reclamarem. Mas isso é normal e necessário, pois é através dessa pressão exercida pelos consumidores que a qualidade do mangás pode melhorar.

Pós e contras a explosão do mercado existe, mas não vamos tratar desses em detalhe agora. Pois o tema é outro tão urgente porém menos debatido pelo público: Se o mercado para lançamentos de mangás já está consolidado, porque as light novels ainda não chegaram no país?

Light novels são uma expressão de certa forma atual na literatura japonesa e que vem ganhando popularidade expressiva rapidamente. Com uma linguagem mais leve, temas e tramas ágeis, parágrafos curtos e muitos diálogos, a leitura fácil caiu no gosto no público. Não demorou para que adaptações em mangá e anime surgissem, dentre essas animes de grande expressão como Suzumiya Haruhi, Shakugan no Shana e Zero no Tsukaima. As light novels são publicadas normalmente em folhetins antes de ganharem versão encadernada. Com a expansão do mercado para elas, as light novels passaram a ser publicadas até na internet ou para celular.

Porém aqui no Brasil ainda não vemos nem sombra de lançamento de alguma dessas obras nesse formato. E não é sem motivo isso, são dois os principais motivos.

Primeiro: o público dos mangás (nós otakus ou leitores avulsos) não ainda demonstrou realmente um grande interesse pelas light novels. Não como na época do lançamento dos mangás onde era visível que os que assistiam animes na televisão também seriam consumidores dos impressos. A grande verdade é que mesmo entre o público que acompanha o mundo otaku pela web, a difusão da cultura das novels ainda não disseminou de vez.

Em segundo lugar: o Brasil é um país que lê MUITO POUCO. Pode até ser que você que lê esta postagem não leia pouco, seja até um devorador de livros, mas temos que ter sempre em mente que esse percentual de leitores ativos e constantes no país é mínimo. A grande massa está muito mais atenta a televisão do que a livros, e infelizmente isso também é verdade mesmo entre os otakus, mesmo que a diferença não seja tão grande assim. Quem não conhece aquele otaku que adora ver seu anime de porrada ou comédia, mas nem mangás compra (livros muito menos)? É triste a realidade, mas que incentivo uma editora que publica mangás tem para trazer livros, mesmo que sejam mais modernos e próximos desse público?

Muita coisa ainda tem que acontecer para que as light novels ganhem destaque e muito depende de atitudes e iniciativas de dentro do próprio mundo otaku, seja daqueles que estão do lado “influenciador” (equipes de sites de divulgação ou blogs otaku) ou de qualquer otaku que queria conhecer e espalhar informações sobre essa nova face do universo otaku que precisa chegar ao país.

Infelizmente eu não conheço outros que estejam tentando difundir as light novels além do grupo SOS-DAN Brasil, que traduz as light novels de Suzumiya Haruhi (LINK) e do abaixo-assinado que foi iniciado a cerca de um mês pela publicação das dessas mesma novels de Suzumiya Haruhi aqui no Brasil.

Realmente quem conhecer outro movimento apoiando as light novels me fale disso, pois a iniciativa do abaixo-assinado de Suzumiya Haruhi está bem organizada, só precisando ser divulgada para colher mais assinaturas. Se existem outros movimentos, a união é o melhor caminho a se seguir, acredito. Óbvio que sempre muitos dizem “Essas coisas NUNCA dão certo”, porém ficar de braços cruzados é algo que realmente (particularmente) é impossível.

Aqui o link da página do “Movimento pela publicação da novels de Suzumiya Haruhi no Brasil”

Pra terminar uma provocação a favor das light novels: Será que os otakus brasileiros realmente não tem capacidade de se mostrarem diferentes em sua relação com a literatura e transformar o cenário atual?


Talvez não, mas quem escreve neste blog, particularmente, não vai desistir tão fácil =)
(Não me matem por esse final, foi uma provocação, xingar eu deixo)
Comentem!
Matta ne!

Comentários

  1. Me lembrou a frase'' compro mangás/hqs porque tem desenhos '' lol O que infelizmente parece a realidade no Brasil. Nas comunidades é ruim de ver alguem interessado nas novels, são poucas pessoas.

    ResponderExcluir
  2. Você escreveu mesmo ^^Nós temos livros com características de Light Novel no Brasil. Livros como os do Dan Brown tem as mesmas características e facilidade de leitura. O grande problema é o publico alvo mesmo. Light Novels não atraem o público que gosta de ficção hard, e a linguagem simples pode llevar as pessoas a verem Light Novels como livros infantis, o que não é verdade. Há Light Novels filosóficas, como as de Kino no Tabi, e Light Novels voltadas para adultos, com as de Lodoss Senki. Com uma boa campanha de marketing, acho que as Light Novels tem um futuro promissor, se for respitado a melhor característica das mesmas: preços baixos ^^


    PS: O texto ficou muito, muito bom :D

    ResponderExcluir
  3. O mercado de Light Novels no Brasil é praticamente inexistente, porém, praticamente não quer dizer totalmente.

    Que eu me lembre apenas UMA Light Novel foi lançada no Brasil de maneira decente: "Samurai X - As Crônicas de um Samurai na Era Meiji ". São dois volumes de Kaoru Shizuka e Nobuhiro Watsuki, criador de Rurouni Kenshin, que deram origem à história principal. Ela foi lançada aqui pela JBC.

    Gostaria muito de ver por aqui Light Novels como Full Metal Panic que já está na 20ª edição ou Ookami to Koushinryou que além de uma ótima história, fala um pouco também sobre a vida e os costume da Europa do século XIV e XV

    ResponderExcluir
  4. Eu ia mencionar kino no tabi ... mas o heider ja mencionou, mas ainda assim, mancada não usar a melhor e uma das mais adultas light novel ja criadas

    ResponderExcluir
  5. Acho que os motivos pelos quais não saem são justamente esses, por mais que seja uma literatura "simplicada", o gosto pela leitura não está no público brasileiro, tanto que mesmo os quadrinhos não tem uma expressão tão grande como poderiam e como acontece em outros países.

    Sendo sincero, não acredito que se lançassem hoje uma LN, que ela venderia bem. Não tenho os números das Novels lançadas de Rurouni Kenshin, que eu mesmo comprei uma e não gostei dessa, mas se tivesse vendido bem a JBC com certeza teria vindo com outras.

    Mas tudo tem que ter um começo, por isso até acho válido esses abaixo-assinados.

    Gyabbo!

    PS: Lilian, você gostaria de fazer troca de links?

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

UQ Holder - o novo mangá de Ken Akamatsu começa com tudo!

A estréia de UQ Holder, nova obra de Ken Akamatsu se deu no mês de agosto deste ano de 2013 e foi cercada de grande expectativa: desta vez o mangaká tinha a intenção clara de fazer um mangá de ação desde o princípio.
Talvez no Brasil o trabalho de Ken Akamatsu não seja tão reconhecido quanto poderia. Sua imagem é muito marcada pelos fanservices de Love Hina. Muitos sequer chegaram a ler sua obra seguinte e de maior sucesso comercial: Mahou Sensei Negima. O plot de um menino cercado de 31 garotas também ajudou a aprofundar o preconceito de leitores que (no meu ver pessoal) parecem valorizar demais a sexualidade nos mangás, esquecendo de analisar outros aspectos como a comédia, e, principalmente, a qualidade dos personagens.


Ken Akamatsu é um mestre em criar personagens cativantes e Negima foi um grande sucesso quando conseguiu mesclar a comédia, esses personagens apaixonantes e uma dose de ação crescente. Lutas muito bem desenhadas estão nas páginas da obra de forma cada vez mais cons…

Sobre o que fala Suzumiya Haruhi, afinal?

Suzumiya Haruhi é uma série de light novels que já conta com 10 volumes e o suspense se irão haver novas publicações ou não. A história ficou mais famosa quando se transformou em anime e então a franquia caiu no gosto do público otaku pelos seus clichês cômicos, personagens carismáticos e uma dancinha viciante para viralizar. Porém muitos acabam julgando que a obra não passa de um entretenimento barato para otakus e que não possui nenhuma mensagem intrínseca. O que é um erro e eu vou dizer o motivo:

Qualquer obra, por mais comercial e batida que seja, pode conter em si uma mensagem, talvez supérflua, talvez profunda, mas não é por causa de questões visuais ou estilísticas que deve ser ignorada essa possibilidade.

Vou citar um exemplo de conhecimento mais comum no mundo do entretenimento para deixar mais simples o entendimento.

Matrix, o filme de 1999, é uma história louca sobre pancadaria alucinada entre realidade e mundo digital? Bom, essa pode ser a cara do filme, com seus efeitos …

Comentários sobre Planetes v.1

Olá a todos!
Esse ano de 2015 tem sido muito bom para leitores de mangá que também são leitores de ficção-científica. Grandes anúncios como Akira e o relançamento de Eden (ambos pela Editora JBC) são alguns dos principais nomes desse momentos, mas outros títulos de peso também chegaram às bancas. Esse é o caso de Planetes, mangá de Mokoto Yukimura, autor também de Vinland Saga (ambos publicados pelo selo Planet Mangá, da Panini).
Comentários sobre a trama



Em um futuro próximo, onde o desenvolvimento da exploração espacial já torna possível a construção de estações e bases em alguns pontos do Sitema Solar, em Planetes acompanhamos a vida de Hoshino Hachirota (ou "Hachimaki", como lhe chamam), um jovem astronauta que tem uma das funções de menor glória: lixeiro espacial. Um trabalho exigente e necessário, mas que não é dos mais gratos.
Temos, além de  outros dois tripulantes na nave Toy Box: Yuri Mihairokov, um russo que tem um motivo bastante distinto. Além deles temos a pilo…