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Era uma vez um lugar chamado Rio Grande

'Rio Grande', sim, esse é o nome do lugar. Cidade fadada a ser ignorada pelos meus conhecidos de outras partes do Brasil, principalmente Manaus, que sempre acham que estou me referindo ao estado do 'Rio Grande do Sul' qundo falo do Rio Grande. Não, é uma cidade chamada Rio Grande, no sul do RS sim, no litoral. É aqui sim que tenho enfrentado desafios da vida sem perder nenhum segundo o sorriso no rosto.

Realmente foi algo bem chocante sair de Manaus em pleno início de vazante (e calor ainda mais insuportável que na época de cheia) e chegar em Rio Grande num agradável dia de começo de inverno, com chuvas e temperatura amena, menos de 15 graus.... o que eu nunca tinha sentido em 20 anos de Manaus.

Tive diversas impressões assim que cheguei, é claro, como já tinha tido em Brasília, apesar de lá nem ter saído do aeroporto (outra oportunidade posso até relatar a grande prova de resistência que foram as mais de 12 horas morando no aeroporto internacional JK). Claro que vim para RG sabendo que era uma cidade muito menor que Manaus, 10 vezes menor em quantidade de habitantes, mas ainda assim considerada uma cidade média de acordo com os padrões. Padrões.... sempre tão inúteis, foi o que eu pensei enquanto a sinalização da estrada indicava que eu já estava em RG mas pela janela do onibus só se via...... bois???

RG é uma cidade com uma extensa área rural, a parte urbana é toda concentrada ao redor do centro (na verdade tudo aqui gira em torno do porto do ponto de vista central) o que explica a minha sensação de "menina da cidade grande adentrando a um universo paralelo". Logo eu, tão acostumada a coisas da pseudo-metropole louca de Manaus, chegando numa cidade onde (impossível descrever o tamanho da minha perplexidade misturada com diversão no momento que vi) carroças andam pelas ruas!

Naquele começo de inverno não seriam apenas os cavalos adubando naturalmente as ruas da cidade que me chamariam a atenção. O anoitecer pelas 17:30 da tarde, o amanhecer depois das 7:00, as árvores carecas por causa da estação, alias, a propria existência de estações definidas do ano. Tudo era novidade diante dos meus olhos que, se em Manaus sempre encontravam coisas incríveis, que dirá num lugar tão oposto e diferente de onde vim.

Porém o óbvio que mais me assustou e marcou nessa mudança de ares, foi a temperatura. Passar por uma madrugada de quase 0 graus foi bem marcante. Alias, acho que sempre vou rir quando ver as pessoas chamando 17 graus a tarde de "calorzinho", porém sempre vou reclamar nesses mesmo dias do frio dentro de casa. Pelo menos realizei meu desejo de criança de usar roupinhas de frio!

Tanta coisa aconteceu... tanta coisa vem acontecendo! Apuros, problemas, soluções e muita, mas muita felicidade cercam o tempo que tenho vivido em Rio Grande. Uma cidade quase totalmente oposta da minha terra natal, mas que incrivelmente já conquistou meu carinho por ser exatamente assim. É observando este lugar que eu vejo o que de Manaus me faz falta, mas também vejo o que lá não tem e aqui me agrada. Sim, dá pra chamar Rio Grande de minha segunda cidade.

Ainda tenho tanto a contar! Acho q vou detalhando mais em outras postagem, até porque é difícil lembrar de todas as aventuras que já vivi aqui e escrever tudo de uma só vez. Volto em breve com mais desse estranho mundo ou outra reflexão.

Matta ne!

Comentários

  1. Isso foi um verdadeiro choque, hein?! Sair daqui do calor infernal pra um lugar onde o frio é normal. Meus primeiros dias seriam difíceis o.o

    Gostei do post.

    FUI!

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